Abril não tem donos, mas tem memória

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O 25 de Abril de 1974 é o ponto de partida da liberdade e o momento fundador da Democracia. É essa a ideia que atravessa o testemunho de João Raimundo, que tinha 30 anos quando a Revolução pôs fim à ditadura.

O diretor da Escola Profissional da Guarda lembra que o regime não tem donos. Não pertence a partidos nem a gerações. Não é um troféu nem uma narrativa conveniente. É uma responsabilidade coletiva, construída todos os dias.

Mas há uma distinção que, para João Raimundo, não deve ser apagada. Entre os que, antes do 25 de Abril, já combatiam a ditadura, a censura e as desigualdades, e aqueles que só depois se afirmaram como democratas. Entre quem assumiu riscos quando isso tinha consequências e quem chegou quando o caminho já estava aberto.

É nesse plano que evoca nomes e percursos da Guarda ligados à resistência, destacando João Gomes como um dos símbolos maiores dos valores de Abril na cidade, apesar de nunca ter sido plenamente reconhecido.

Este recupera essas memórias, mas não fica por aí. A partir delas, constrói também um olhar crítico sobre o presente. João Raimundo fala de uma cidade que foi perdendo exigência e massa crítica, onde nem sempre se reconhece quem fez caminho e onde há, por vezes, a tentação de reescrever o passado.

Ainda assim, sublinha o papel decisivo do poder local democrático, uma das grandes conquistas de Abril, recordando a ação do primeiro presidente da Câmara da Guarda, Abílio Curto, num tempo de resposta a desafios exigentes.

Entre o passado vivido e o presente observado, fica uma ideia clara: o 25 de Abril é de todos, mas não dispensa memória. E a memória obriga a distinguir, a reconhecer e, sobretudo, a não banalizar o que custou conquistar.

Mais do que uma data, Abril continua a ser um compromisso. Todos os dias.