Escola Profissional duplica turmas de Saúde e Mecânica para dar resposta à procura e à empregabilidade

A Escola Profissional da Guarda vai reforçar, no próximo ano letivo, a aposta nas duas áreas que são atualmente as principais âncoras da sua oferta formativa: Saúde e Mecânica. Pela primeira vez, os cursos de Técnico Auxiliar de Saúde e de Técnico de Manutenção Industrial – Eletromecânica vão abrir com duas turmas cada.

A oferta mantém ainda uma turma de Técnico de Gestão de Equipamentos Informáticos e outra de Técnico de Comunicação, Relações Públicas, Marketing e Publicidade. De fora fica o curso de Técnico de Multimédia, que a instituição considera ter cumprido a sua missão, mas que deixou de corresponder à estratégia da escola, sobretudo ao nível das saídas profissionais.

A decisão de reforçar Saúde e Mecânica é, segundo o diretor da Escola Profissional da Guarda, João Raimundo, uma resposta à procura dos alunos, mas principalmente às necessidades do mercado de trabalho e às perspetivas de empregabilidade.

É uma orientação sustentada pelos resultados. A Escola acaba de renovar a certificação de qualidade, com uma avaliação muito positiva, depois de, no início deste ano, ter alcançado as classificações de Excelente e Muito Bom nos diferentes critérios da avaliação externa do Ministério da Educação.

No triénio 2021-2024, a instituição registou uma taxa de conclusão de 92 por cento, uma taxa de empregabilidade superior a 80 por cento e um grau de satisfação dos empregadores acima dos 90 por cento.

Resultados que João Raimundo considera muito positivos, embora o objetivo seja aproximar estes indicadores dos valores máximos. E isso implica concentrar a oferta nas formações com melhores perspetivas e saber abandonar cursos quando deixam de corresponder às necessidades do mercado.

Foi assim, recorda, com o curso de Técnico de Serviços Jurídicos. Depois de um período de grande procura e elevada empregabilidade, a Escola decidiu antecipar a evolução do mercado e terminar a formação antes de as oportunidades profissionais começarem a diminuir. O tempo, considera o diretor, acabou por confirmar a decisão.

É esta capacidade de adaptação que a Escola Profissional da Guarda procura manter ao longo dos seus 20 anos de atividade, tendo sempre a empregabilidade como uma das principais referências na definição da oferta.

O curso de Técnico Auxiliar de Saúde é um dos exemplos mais evidentes. A procura mantém-se elevada e as necessidades de profissionais ligados à saúde e ao cuidado continuam a crescer, num contexto demográfico em que o envelhecimento ativo e saudável assume uma importância cada vez maior.

A lógica é simples: a escola existe para os alunos e a formação deve permitir-lhes alcançar um resultado concreto, seja a entrada rápida no mercado de trabalho, seja o prosseguimento de estudos no ensino superior.

Um modelo que começou há 20 anos

Esta preocupação esteve presente desde o primeiro ano de funcionamento. A Escola Profissional da Guarda não esperou pela consolidação do projeto para criar uma ligação entre o ensino profissional e o ensino superior. Logo no ano letivo inaugural, 2006/2007, avançou com um modelo de “duplo programa”, conciliando a preparação profissional com a possibilidade de acesso ao ensino superior.

Foi uma opção pioneira que, ao longo dos anos, mereceu o reconhecimento de diferentes responsáveis governamentais e que continua a integrar o projeto educativo da instituição.

A procura parece confirmar a estratégia. Ano após ano, as turmas têm sido rapidamente preenchidas, numa escola que procura ajustar permanentemente a formação às oportunidades existentes na região e no país.

O próximo ano letivo, que assinala as duas décadas da Escola Profissional da Guarda, arranca normalmente na segunda semana de setembro. As perturbações registadas este ano em torno dos exames não deverão ter impacto no calendário da instituição.

Vinte anos depois, João Raimundo faz um balanço positivo, embora recorde que o percurso nunca tenha sido fácil. Ao contrário de outras instituições da região, a Escola teve de assegurar desde cedo respostas que ultrapassam a componente estritamente letiva, incluindo alojamento numa residência própria para estudantes, procurando compensar a inexistência de uma resposta pública suficiente nesta área.

No edifício onde há 4 décadas começou a agora Universidade Politécnica

A data de hoje, 8 de agosto, cruza ainda a história da Escola Profissional com outro capítulo do ensino na Guarda. Completam-se 41 anos desde a tomada de posse de João Raimundo como presidente da Comissão Instaladora do Instituto Politécnico da Guarda.

Em outubro passam também 40 anos sobre o início das aulas na Escola Superior de Educação, a primeira escola superior do Politécnico a entrar em funcionamento. Uma coincidência histórica: essas primeiras aulas decorreram no edifício onde funciona atualmente a Escola Profissional da Guarda.

Quatro décadas depois, o Instituto Politécnico deu lugar à Universidade Politécnica da Guarda, na sequência da alteração de designação que entrou em vigor no início deste mês.

Para João Raimundo, porém, a mudança de nome deve ser encarada sobretudo como uma oportunidade para um novo começo. Mais do que celebrar a passagem de instituto politécnico a universidade politécnica, num processo que abrangeu a generalidade das instituições deste subsistema, considera que a Guarda deve definir como objetivo recuperar a posição de referência nacional que já teve no ensino superior e criar condições para, no futuro, dispor de uma verdadeira universidade.

A nova realidade abre também caminho a alterações no modelo de governação, nomeadamente à possibilidade de eleição universal dos dirigentes.

Para quem esteve na génese do ensino superior público na Guarda, o desafio não está, por isso, na designação. Está na capacidade de recuperar ambição, dimensão e relevância.

Quarenta e um anos depois do início desse percurso e 20 anos depois da criação da Escola Profissional, João Raimundo mantém a mesma ideia de fundo: uma instituição de ensino só faz sentido se conseguir antecipar necessidades, criar oportunidades e preparar-se para aquilo que vem a seguir.