Áudio Explicador | Como é que a Guarda deixou escapar uma coleção de 5 milhões de euros em arte moderna?

António Piné (1931–2022) quis que a sua coleção de arte moderna e contemporânea ficasse na Guarda. Acreditava que o acervo reunido ao longo de décadas podia dar origem a uma galeria integrada na rede de equipamentos culturais do concelho, permitindo que aquele património fosse fruído por todos.

Em 2008, perante a ausência de decisões concretas e depois de anos de contactos inconclusivos, acabou por doar a coleção ao Museu da Farmácia. Foram então catalogadas cerca de 140 obras, com um valor estimado que podia atingir os 5 milhões de euros. Entre mágoas e acusações, o farmacêutico da Guarda-Gare dizia, na altura, ter conseguido “tirar um peso de cima de mim”.

A cidade voltaria a ver a coleção em 2014, numa exposição integrada nas Celebrações Nacionais do 10 de Junho, Dia de Portugal. Depois disso, os quadros e esculturas regressaram a Lisboa. Ainda assim, houve duas tentativas posteriores para obter a cedência com caráter duradouro: primeiro, com o projeto do Quarteirão das Artes, que previa a construção de um novo edifício no pátio traseiro do Museu da Guarda para acolher um Centro de Arte Contemporânea e a Coleção Piné; depois, quando a Câmara Municipal adquiriu as ruínas da antiga Casa da Legião e solicitou ao arquiteto Souto Moura um projeto com o mesmo objetivo.

Nenhuma dessas ideias foi concretizada.

Como foi possível perder uma coleção desta dimensão? Que decisões não foram tomadas? Que responsabilidades tiveram os diferentes protagonistas?

No segundo episódio do podcast Áudio Explicador, regressamos ao maior arquivo sonoro da região para compreender esta história.